Matheus Santiago

Autor do Vale do Paraiba | contos – ensaios – crônicas – crítica social

Mês: outubro, 2013

Interpretação de Música – Eu Sou Egoísta, de Raul Seixas

Eu estou atravessando uma jornada interessante de aquisição de conhecimento. Muita gente me pergunta por que ainda não escrevi o primeiro livro. A resposta é simples, porque ainda preciso concluir a jornada. Como eu disse antes, livro – e outras formas de ficção – são garrafas jogadas ao mar por aqueles que atravessaram a morte e renasceram. Basicamente eu estou atravessando a morte. Escrevi esse pequeno texto para compreender melhor o conceito da Psique humana segundo a Psicanálise. Além disso, entender o motivo pelo qual a música Eu Sou Egoísta, de Raul Seixas, causou um verdadeiro alvoroço na minha cabeça no começo dessa semana. Eu estava ouvindo O Baú do Raul e essa música estava na voz da Pitty. Geralmente eu sou tão distraído que nem escuto bem a letra, mas essa eu escutei várias vezes.

“Eu sou Egoísta”. Por que ele diz isso? Por que nas estrofes finais separa “Ego” de “Ísta”? Qual é o sentido de “Por que não” que aparece no final? Essas perguntas me deixaram maluco. A entrevista de Joseph Campbell que assisti anteontem e alguns textos de Freud que li hoje me ajudaram a responder essa pergunta… e muitas outras que estavam matutando aqui.

Basicamente a música é um ensaio sobre o Id, o Ego e o Superego representado na palavra “Egoísta” ou “Ego Ísta” do título e do final. O Eu Lírico fala ao ouvinte que tem a Psique problemática, a pressão no Ego e complexos mal resolvidos da infância que causam sofrimento. As estrofes que o Eu Lírico fala de si mesmo rebatem o comportamento problemático através de uma imagem ideal de equilíbrio entre Id, Ego e Superego.

EU SOU EGOÍSTA

Raul Seixas

Se você acha que tem pouca sorte
Se lhe preocupa a doença ou a morte
Se você sente receio do inferno
Do fogo eterno, de deus, do mal

As ideias de preocupação e receio remetem à ansiedade. Uma ansiedade relacionada ao inferno i.e. ao mal. Sendo que o mal é símbolo do comportamento do Id, de satisfação imediata reprimida e problemática. (Usado de forma alegórica em mutias mitologias).

Eu sou estrela no abismo do espaço
O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
Onde eu tô não há bicho-papão
Eu vou sempre avante no nada infinito
Flamejando meu rock, o meu grito
Minha espada é a guitarra na mão

O Eu Lírico é uma “estrela”: uma figura divina que emana luz como um Deus. Um com poder de criar e destruir, de amplitude quase infinita. O que eu quero é o que eu penso e faço, dispõe três ações distintas do comportamento: Querer = Id, o instinto animal de impulso e satisfação; pensar = Superego, uma figura civilizada e racional que vive conforme restritas leis sociais; fazer = Ego, é o Eu que equilibra o impulso criativo (libido) às restrições do Superego, equilibrando e permitindo o indivíduo seguir sua profissão/paixão/Bliss.

Se o que você quer em sua vida é só paz
Muitas doçuras, seu nome em cartaz
E fica arretado se o açúcar demora
E você chora, cê reza, cê pede… implora…

Esta é a imagem de uma pessoa presa ao Id, o comportamento infantil, como na sentença “Você chora, reza, pede, implora”. É uma criança interior que não se encaixa no mundo e por isso provoca grande pressão no Ego. Surgem pois uma série de mecanismos de defesa, idealização da vida pela busca da “paz plena”, a busca eterna da doçura, a fantasia como defesa, “seu nome em cartaz”.

Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho
Eu quero é ter tentação no caminho
Pois o homem é o exercício que faz
Eu sei… sei que o mais puro gosto do mel
É apenas defeito do fel
E que a guerra é produto da paz

Esta é a ideia de uma aceitação da dualidade da vida. Ao invés de separar o bem e o mal, o amargo e o doce, a guerra e a paz, ele une os dois e encontra um equilíbrio. Lembra o próprio conceito de Deus. No trecho Eu quero é ter tentação no caminho ele relembra a imagem da tentação no Monomito. Nos mitos, a tentação é uma série de impulsos animalescos do Id (avareza, luxuria, vícios, violência, birra, cobiça, etc) que foram superados pelo Ego. 

O que eu como a prato pleno
Bem pode ser o seu veneno
Mas como vai você saber… sem tentar?

O que o Eu Lírico come? Isso é uma coisa simples, pode ser definida de várias maneiras. Ele come a fagulha divina, a chama que o diferencia de qualquer outra criatura. Com isso o Eu Lírico é capaz de resolver os impulsos do Id de forma natural. Essa fagulha tem vários nomes, sendo Deus um dos mais comuns. De fato, para o Eu Lírico já em equilíbrio, o Deus é um alimento a “prato pleno”, enquanto para o homem incompleto, Deus é o veneno. Porque literalmente Deus vai matar o indivíduo em desequilíbrio. O indivíduo vai renascer. Já não é mais uma criança, agora é um adulto. Sem questões mal resolvidas na infância (Complexo de Édipo/Electra).

Se você acha o que eu digo fascista
Mista, simplista ou antissocialista
Eu admito, você tá na pista
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou egoísta, eu sou,
Eu sou egoísta, eu sou,
Por que não…

O Eu Lírico prevê que o interlocutor está com raiva e racionalizando suas palavras. Quando o interlocutor chama o Eu Lírico de fascista, simplista, antissocialista, ele está numa atitude de negação diante do fato que é um adulto mal resolvido. Ao dizer “eu admito, você tá na pista” o Eu Lírico lembra que é justamente assim que o interlocutor confirma a mesma verdade que está tentando negar. A frase final, “por que não” é a frase que a criança fala pra mãe quando é repreendida. “Por que não, mãe?” diz ela em meio às birras. A mãe se mantém firme e responde “Porque não!”. Isso remete à ideia da origem de todo o assunto tratado na música: a neurose causada pelo Complexo de Édipo mal resolvido.

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Interpretação de Música – Eu Sou Egoísta, de Raul Seixas de Matheus Santiago é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 3.0 Não Adaptada.
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Nossa Senhora Aparecida: A Deusa Mãe do Povo do Vale do Paraíba

A um observador externo o Vale do Paraíba parece um conjunto de religiosidade popular que se preservou. E é, de fato. Basta ir à imensa Basílica de Aparecida do Norte para ver a religiosidade. Longe de ser uma fé Romana ou Europeia, é em primeiro lugar Brasileira e em segundo lugar dedicada à Deusa Mãe. Igual as religiões antigas. O mistério que na antiguidade chamavam Vênus, Ishtar e Afrodite hoje chamam Nossa Senhora Aparecida. Em outras doutrinas do Brasil, também chamam Yemanjá.

A adoração à Deusa Mãe surgiu nas primeiras sociedades que sobreviviam pela agricultura. Elas enxergavam que a vida nascia do seio da terra e após a morte, voltava à terra. De lá, renascia pela fertilidade. Para essas sociedades toda a natureza era de imensa sacralidade. Os animais deviam ser cuidadosamente abatidos e temidos e havia rituais para cortá-los, cozê-los e devolver seus restos à terra. As árvores e plantas de cultivo eram um presente da Mãe e a colheita era celebrada com festejo. Dos antigos festivais da colheita restaram o que hoje os Cristãos chamam Páscoa (equinócio de primavera) e Natal (solstício de inverno), entre alguns outros.

O cristianismo reprimiu a imagem da Deusa Mãe na Europa porque os pagãos, povos conquistados pelos romanos cristãos, eram adoradores d’Ela. Impuseram a figura de Deus Pai: não mais um Deus da terra e da fertilidade, mas um Deus supremo e separado da natureza (sendo que a natureza se tornou pecado).  Para os cristãos o homem é superior à natureza e todas as coisas estão a seu serviço.

“Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra.” (Gêneses 1,26)

Com isso a natureza deixou de ser sagrada. Os animais eram cultivados para abate, caçados por prazer e extintos por pura farra. Pode-se citar a caça aos búfalos do Oeste dos EUA, a cruel extinção do dodô, a caça aos elefantes africanos na colônia inglesa (que dura até hoje), entre muitos outros.

Essa religião cristã de predatorismo veio à Capitania de São Vicente. Estava na bagagem dos cristãos que começaram a minúscula Vila de São Paulo e a vila de São José, entre outras localidades. Acontece que ao chegarem nas margens do Parahyba do Sul foi necessário resgatar aquele amor profundo à terra que os Europeus já estavam perdendo. Claro que os índios nativos e os negros da África ajudaram muito nesse resgate: eles vinham de civilizações que se construíram ao redor da Deusa Mãe. Os negros Yorubá têm suas Deusas, por exemplo a Senhora do Mar, Yemanjá. Os índios, segundo alguns estudiosos de nheengatu, têm sua Deusa na figura do sol, Guaracy, e da lua, Yacy.

E quanto aos católicos? A imagem oficial de Nossa Senhora, nos primeiros tempos do Brasil, era da mãe de Deus, mãe-virgem e mãe de todas as pessoas. Entretanto o Vaticano não permitia que a imagem de Maria fosse adorada no mesmo patamar que Deus Pai. Até hoje os católicos fazem questão de dizer que Maria não é adorada, é venerada. Apesar disso, na prática as pessoas adoram Maria. Oferecem a ela sua devoção, pedem milagres. Isso acontece muito na América Latina, no Brasil e no Vale do Paraíba.

Nossa Senhora Aparecida era uma pequena estátua que foi pescada no Rio Parahyba. Tornou-se bem mais do que uma figura secundária aos pés de Deus Pai e Jesus Cristo: virou uma Deusa Mãe, guardiã dos Tropeiros, guardiã dos Caipiras, posteriormente guardiã do Brasil. Infelizmente o que nós vemos hoje é que a adoração da Deusa Mãe Nossa Senhora Aparecida está sendo enfrentada pelos católicos mais ortodoxos. Acham melhor que ela seja venerada.

O mundo precisa de uma Deusa Mãe. Tem que abandonar a ideia de superioridade diante da natureza e se perceber parte dela. Essa necessidade pela Deusa é visível nas milhões de pessoas que vão até a cidade de Aparecida do Norte todos os dias para adorar a Deusa Virgem Maria, mãe de Deus, que apareceu no Rio Parahyba do Sul.

Sem a Mãe Terra o homem faz coisas como: A poluição no Rio Paraíba do Sul; os abatedouros clandestinos degradantes (e outros não tão clandestinos) que transformam o animal, fruto da terra, em um simples produto para o mercado; extinção de bichos que só existiam aqui e em mais nenhum lugar do mundo, e muitas outras barbáries. O homem se torna não um animal – animais respeitam a vida – mas se torna um Monstro. A aberração da natureza, a Deformidade.

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Baseado no trabalho em https://mattsantiago.wordpress.com/2013/10/10/nossa-senhora-aparecida-a-deusa-mae-do-vale-do-paraiba/.

Artigo Literário: Ser um Escritor

A verdade sobre escrever e publicar um livro

Pode ficar tranquilo, meu caro leitor. Este texto é motivacional. Você vai entender o que é o autor e o que é o livro. Vai entender o que é a narrativa e o que é o tal do mercado editorial.

Um livro é uma forma de registrar uma história. Mas o que é uma história? Veja, narrativas são hoje o que sempre foram desde os Antigos Tempos: formas de contar um mito. Na antiguidade havia Prometeu, aquele que roubou o fogo dos deuses e trouxe aos homens; havia Siegfried, aquele que atravessou o círculo de fogo e matou o dragão para salvar a bela Brumhilde; Ísis, a deusa que precisou enfrentar uma jornada para salvar o esposo Osíris que foi enterrado vivo num sarcófago e jogado ao Nilo; Jesus Cristo, aquele que se entregou à cruz de bom grado para redimir o pecado original da humanidade.

E hoje?

Hoje existe Goku, aquele que veio do planeta Vegeta para destruir a Terra, mas bateu a cabeça, esqueceu sua missão e se tornou protetor do planeta. Hoje existe Luque Skywalker, aquele que adentrou o Universo para encontrar-se com seu destino jedi e resgatar a princesa Leia. Hoje existe o Homem de Ferro, que depois de quase morrer nas mãos de terroristas, usou sua inteligência para construir a Mark-1 e se libertar. Hoje existe o misterioso “V” de V de Vingança que enfrentou a ditadura inglesa de Adam Sutler e entregou-se à morte para começar um novo amanhã – ao explodir o Parlamento.

Os mitos são ecos das primeiras histórias

Mas por que alguém se daria ao trabalho de contar uma história? Qual é o motivo de tudo isso? Simples. Elevar o espírito humano a Deus. Quando digo Deus eu não falo sobre um personagem específico ou uma máscara. Essa máscara costuma ser YHWH ou Jesus Cristo, Alah, Xangô ou Cernunnos. Também não falo de algo literal, como se fosse um ser vivo separado do homem. Na verdade a palavra “Deus” é uma forma de explicar aquilo que não pode ser alcançado pelas palavras: a essência da vida e da morte. O “Eu” nas profundezas do inconsciente.

Mito é isso. O ritual religioso é só uma vivência do mito. Veja a missa, a Páscoa, a Folia de Reis, o Sabat judaico, o Ramadã, o Samhaim. São formas de viver o mito descrito nas Escrituras ou na oralidade (que chamam de Tradição). Mais do que escutá-lo, são maneiras de deixar a narrativa penetrar na alma. Esse mito tem um poder incrível, ele leva as pessoas ao êxtase, leva à epifania, ao auto-conhecimento. Quando o homem se encontra consigo mesmo ele aprende a amar seu irmão, a natureza, a vida e a si mesmo.

Então, o que é a narrativa?

É uma mensagem que você encontra numa garrafa, na praia, trazida pelo mar. Ela narra de uma forma simbólica o caminho para encontrar o Elixir. Foi lançada ao mar por aqueles que já atravessaram o caminho e já encontraram a Essência da Vida e da Morte. Esse sábio que lança suas histórias ao mar é o que hoje chamam de Escritor. Ele é uma versão moderna dos primeiros Xamãs, ou Pajés, que transmitiam o mito ao povo e ensinavam o caminho para o auto-conhecimento.

Como ser um escritor?

Você vai ter que adentrar seu próprio caminho para encontrar essa Verdade que as palavras não alcançam. Quando você encontrar essa Verdade, o Elixir, vai bebê-lo e tornar-se imortal. Depois vai pegar um papel, um carvão e registrar o caminho através da narrativa. Colocar o papel numa garrafa e lançá-la ao mar. Aqueles que lerem sua mensagem vão sentir um impulso feroz para buscar o mesmo Elixir que você encontrou. Sua narrativa servirá como inspiração e guia.

Mas o caminho é único para cada pessoa. O leitor vai aprender o caminho que você registrou, depois vai procurar o próprio caminho. Como relembra a filosofia do Bushido, a arte Samurai, e do Livro dos Cinco Anéis:

Os homens devem moldar seu caminho. A partir do momento em que você vir o caminho em tudo o que fizer, você se tornará o caminho.

Como Escrever um Livro?

Livro é só um conjunto de palavras escritas. Pode ser uma forma mais ampla de escrever aquela mensagem da garrafa. Seja um conto, um livro, uma novela, um blog, um vídeo no Youtube, um micro conto, um conto de celular, o conteúdo é bem mais importante que a forma. As antigas taboas de argila que usavam para escrever, as fitinhas de bambu dos chineses, as paredes das pirâmides do Egito e as pinturas nas cavernas do Paleolítico não são histórias. São registros das histórias.

E o mercado editorial?

O Mercado Editorial é só um grupo bem grande de pessoas que estão procurando o Elixir, a Plenitude, o Auto-conhecimento. Pessoas que querem – e precisam – morrer para uma vida arruinada pela tecnologia, stress, doença, para renascerem plenas de vida. Chamam esse grupo de demanda. Depois tem o produto, que é a narrativa (não o livro). Esse produto é a oferta. Mercado editorial é uma forma de compra e venda de mensagens engarrafadas. Sei que é triste ter que pagar mais de R$30,00 por uma coisa que durante muito tempo foi transmitida gratuitamente pela oralidade. É o Capitalismo. Mas um bom autor está muito além desse sistema mesquinho de publicidade, compra e venda de livros e contagem de palavras para ganhar mais dinheiro. Um bom autor está consciente da importância divina de uma obra de ficção. É esse autor que tem o poder de mudar o mundo.

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Artigo Literário: Ser um Escritor de Matheus Santiago é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 3.0 Não Adaptada.Baseado no trabalho em https://mattsantiago.wordpress.com/2013/10/10/como-ser-um-escritor/.

Artigo de Opinião: A Decadência de São José dos Campos e a Conurbação com São Paulo

Poluição e a péssima qualidade de vida na capital são avisos de um futuro sombrio aos Joseenses

São José dos Campos cresceu descontroladamente nos últimos cem anos. Novos bairros aparecem todos os anos nas periferias e no distrito de Eugênio de Melo. Já vemos claramente um processo de conurbação entre as cidades de Jacareí, São José dos Campos, Caçapava e Taubaté. Os índices de violência em Jacareí comprovam que a conurbação está chegando à megalópole da grande São Paulo. Ao analisar o exemplo da nossa vizinha paulista, percebemos que está na hora de parar de crescer.

São Paulo é hoje a maior e mais rica cidade do país, mas riqueza não é sinônimo de qualidade de vida. A poluição do ar na capital mata duas vezes mais pessoas do que os acidentes de trânsito ao longo do ano. No inverno o Rio Tietê solta uma espuma envenenada branca (ao contrário da crença popular, aquilo não é sabão). Pesquisadores publicam números de grandes quantidades de chumbo e mercúrio no rio. Quem passa perto do Tietê sente a poluição pelo cheiro podre (principalmente em dias quentes). A poluição sonora também é crítica: em São Paulo o stress provocado pelo ruído é o terceiro maior responsável por doenças do trabalho  e está acima do permitido por lei .

Essas mortes e doenças físicas e mentais causadas pela urbanização em São Paulo são um alerta para a população e o governo de São José dos Campos. A Capital do Vale mantém um ritmo frenético de crescimento desde a década de 1920; agora a natureza reclama contra a urbanização estúpida: as queimadas, que são a maior fonte de poluição da cidade e a degradação do banhado se unem ao trânsito em constante crescimento e carregam o ar com partículas poluidoras.

Os residentes de São José dos Campos e principalmente a prefeitura precisam agir agora, ou a cidade mundialmente conhecida por seus “ares generosos” vai começar a envenenar a população com monóxido de carbono e enxofre. A necessidade é simples em sua essência: colocar sobre controle a urbanização e preservar a natureza nativa como se a vida das pessoas dependesse disso (óbvio). Resolver de uma vez por todas o desrespeito pela reserva ambiental e esses loteamentos irregulares. Claro que os políticos devem dar o exemplo, coisa que nem mesmo a família do Vice de SJC, Dr. Itamar Coppio do PMDB foi capaz de fazer. Vou lembrar dessas denúncias na próxima eleição, viu? Senhor vice-prefeito.

Também é preciso impor uma multa – e fiscalização decente – para crimes como queimar lixo em terrenos baldios e jogar lixo na rua. São José dos Campos arrecadou mais de R$11 milhões em multas de trânsito no ano de 2012. Por que nunca fizeram uma multa (que funcionasse na prática) para o cidadão poluidor? E por fim, vamos reconstruir a natureza que a urbanização matou e despoluir o rio que deu vida à cidade, o velho Parahyba do Sul. A saúde de cada cidadão Joseense depende de nossa ação, para hoje e para o amanhã.

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